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Justiça seja feita – Uma nova TV aberta brasileira

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Por Felipe Fischer

em 25 de setembro de 2016

O sucesso das novelas brasileiras é indiscutível comercialmente falando, prova disso é o sucesso de vendas mundo a fora. Porém, a longa duração e histórias pouco originais acabam afastando o público que gosta de séries estrangeiras. Os mais de quatro meses no ar e com exibição de capítulos inéditos seis vezes na semana tornam difícil acompanhar e manter um roteiro relevante. Isso começou a mudar de alguns anos para cá com a TV aberta dando espaço para tramas curtas e bastante ousadas para os padrões exercidos até então.

As novas séries possuem de 10 a 20 episódios e impressionam pela qualidade técnica. Desde elenco, fotografia, trilha sonora escolhida a dedo, tudo faz com que o peso das cenas ganhe ainda mais destaque.  Vale citar “Hoje é dia de Maria”, “Capitu”, “Amores Roubados”, “Dupla Identidade”, “Felizes para Sempre”.

Eis que chegamos em “Justiça”, minissérie de 20 episódios onde quatro histórias aconteciam simultaneamente, tendo cada dia de exibição na semana focado em um grupo de personagens. As histórias têm um fato em comum: quatro crimes ocorridos há sete anos.

Crimes que foram julgados e mandaram para a cadeia, inclusive aqueles que foram erroneamente condenados. A minissérie mostra estas pessoas retomando a vida dessas a partir do momento em que conquistam a liberdade.

A preparação do elenco e a carga dramática usada ajudam na criação do vínculo entre espectador e personagens. É impossível assistir e não torcer, se revoltar ou questionar atitudes. Até onde vai a definição de justiça e vingança, palavras distintas que andam lado a lado? Qual é a hora de aceitar o perdão e encarar de forma diferente acontecimentos passados?

Os primeiros episódios funcionaram como um curta-metragem sozinho, como se fossem quatro pilotos de alta qualidade. Algumas histórias perderam a força depois disso, deixando de lado debates que poderiam ter sido explorados como a eutanásia e o preconceito racial. Erros de sequencia também existiram já que tudo acontece simultaneamente, tendo muitas vezes, dois pontos de vista da mesma cena.

Apesar destes erros entre uma história ou outra, a trama conseguiu surpreender. “Justiça” ficará marcada na história da TV Brasileira como um produto que inovou no roteiro e a forma de apresentação para o público, com os quatro primeiros episódios liberados no serviço Globo Play, antes mesmo da exibição na grade de programação do canal. Essa estratégia faz parte da nova linha de shows noturnos que a emissora pretende seguir, com meta de conquistar um público novo, diferente dos que acompanham as novelas tradicionais. Que continue assim!


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