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X-Men: Apocalipse [Crítica]

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por Fábio Astaire

em 04 de Junho de 2016 via Colabore

Foram necessários apenas dois anos para que a equipe de Bryan Singer (Os Suspeitos, 1995) trabalhasse num novo episódio de uma das sagas mais cobiçadas do universo Marvel. Responsável pela produção, roteiro e direção da maioria deles, sua função é tornar ainda mais surpreendente aquilo que foi prometido nas cenas pós-créditos do eletrizante X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (2014). Salvo a prevista evolução técnica, seu recente trabalho dispõe de um elenco renovado por jovens integrantes, seguindo infortúnio exemplo da Fox ao reconstruir Quarteto Fantástico (2015), e um promissor enredo que apresenta o combate com inimigo mais temido: o Apocalipse.

Apesar da farta quantidade de personagens, o núcleo principal permanece com o conflito filosófico de Charles Xavier, interpretado pelo escocês James McAvoy (O Procurado, 2008), do qual acredita incansavelmente num mundo de harmonia entre humanos e mutantes, em oposição ao ódio alimentado pelo sofrimento de Magneto, vivido pelo alemão Michael Fassbender (Shame, 2011). Mas quem toma cada vez mais espaço é Jennifer Lawrence (Inverno da Alma, 2010) por fazer uma versão de Mística mais heroica, quase sem querer, a ponto de ser tornar inspiração para os semelhantes. Uma situação bem familiar se comparar com Katniss Everdeen em Jogos Vorazes. Por outro lado, a nova geração é a oportunidade para os recém-chegados conquistarem a atenção do público. Muitos deles já tiveram sua experiência em séries de TV ou filmes alternativos, como no caso de Sophie Turner (Guerra dos Tronos) desempenhando a aflita Jean Grey, o retorno do simpático Noturno por Kodi Smit-McPhee (A Estrada, 2009), entretanto, o atual rapaz azul com jaqueta de Michael Jackson ainda nos faz sentir falta do Kurt de X-Men 2, e Tye Sheridan (A Árvore da Vida, 2011) no papel de Scott Summers num momento bem remoto à liderança do bando. Felizmente Mercúrio (ou seria o Pietro do outro filme?) quebra a seriedade xmenriana com seu humor e jeito descolado na tão aguardada cena de resgate em 3 mil quadros por segundo, salvando a trama da morosidade.

Se o lado da luz há tanta gente, o lado negro da força é representado pelo astro em ascensão Oscar Isaac (Star Wars: O Despertar da Força, 2015) quase irreconhecível na pele do primeiro mutante, e deus egípcio, En Sabah Nur.  Habitualmente, o princípio do antagonista é voltar a ser soberano assim que exterminar quase toda a humanidade.

Além de discutir o preconceito das diferenças, existem outras coisas interessantes que fazem parte da identidade desta franquia. Uma das recentes é envolvimento da narrativa com contextos históricos. Isso foi brilhantemente usado no roteiro dos dois últimos, porém neste, mesmo se passando nos anos 80, mostrou-se poucos relatos da década apesar de pequenas referências culturais. No entanto, muitas introduções aos personagens foram contadas em oito longas (incluindo dois solos de Wolverine), e mesmo assim boa parte do tempo reescreve a origem daqueles que o espectador outrora conhece, deixando muito pouco para que os heróis, juntamente com seus efeitos especiais, entrem em ação.

Contrário à confusão temporal do anterior, a batalha contra um ser todo-poderoso é linear a medida que os eventos acontecem sem profundidade. Analogicamente, se assemelha à forma em que, numa fração de segundos, o vilão aprende tudo sobre o mundo em frente da televisão sem refletir. Logo, a moral da história fica por conta daquilo que já vimos em menos de um ano, por intermédio da própria Marvel, no segundo filme dos Vingadores: Um variado número de heróis compreende que só conseguirá derrotar o impossível se lutar em conjunto. Pois, inclusive os vilões de ambas as séries têm personalidades similares.

E se tudo isso agora ficou no passado, o que podemos esperar do professor Xavier e seus pupilos? O que serão deles se noutros tempos passaram pelo confronto final, sobreviveram os dias de um futuro esquecido e suportaram até o apocalipse? Talvez o destino de fato seja reparar a Arma-X.

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