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Viaje você também Entremundos

Capa-entremundos

– por Alexandre Moreira

Numa nova trilogia, Neil Gaiman (Sandman) e Michael Reaves (Caverna do Dragão)  nos apresentam Joey e um mundo… ou melhor… VÁRIOS mundos do qual ele faz parte. Muita calma, já explico tudo. Joey é apresentado como um garoto tão normal e esquisito quanto eu fui ou você certamente ainda é. Talvez a única coisa que chame atenção seja o fato dele ser particularmente desastrado e perdido, mas perdido no lvl 89 numa escala 100 – a ponto dele se perder dentro da própria casa ou mesmo perder objetos como ninguém (ou como toda população mundial junta).

O livro faz parte de uma coleção de livros infantis com o selo Jovens Leitores da Editora Rocco e por isso, foge um pouco do tradicional mundo sombrio de Gaiman. Continuando… Joey, em um trabalho de campo pela cidade se perde um pouco e acaba chegando numa outra dimensão (…)

CALMA! Respire, leitor. Respire! Seguinte: após o ocorrido, Joey de fato chega em outra dimensão, muito semelhante com a dimensão de origem dele, porém ainda uma outra dimensão. A partir daí, a vida de Joey vira do avesso e vai colocá-lo em meio a muitos perigos, descobertas e guerras.

Joey, descobrimos depois, nasceu como um “Andarilho” – o que significa que ele pode andar entre diferentes dimensões – fato que explica a capacidade de se perder ou perder objetos mais do que o normal.

OBS: me identifiquei um pouco com ele e fiquei feliz com a justificativa – quem sabe um dia?

Andarilhos são pessoas raras em todo o universo (seja a realidade que for) e o poder intrínseco a essas pessoas são um ótimo combustível para veículos grandes (como barcos ou naves) viajarem por entre as dimensões. Esse é justamente o plano de Lady Indigo com seu navio Maléfico: percorrer diferentes dimensões e conquistar planetas com o poder bélico de seu exército.

Para combatê-los existe um tipo de “guarda” do multiverso. Joey chega até a base de treinamento deles depois de passar por alguns contratempos e perdas de amigos. Lá, ele pode também estudar sobre essa coisa maluca de metafisica e múltiplas realidades (alô, você que reclama da prova de matemática e física do colégio).

Na trama, os planetas são divididos em duas categorias: os que se aprofundam no uso e estudo da magia e os que se apegam mais à ciência – a nossa Terra, no caso se apega mais à ciência. O mais legal da história é que – para cada dimensão que viaja Joey se encontra com seu correspondente nesta outra realidade. No fim ele acaba com um exército de si mesmo, com diferentes capacidades, poderes e até mesmo idades – afinal o tempo corre diferente nas diferentes dimensões).

Apesar de aparentemente confuso, a leitura é absolutamente fluída e envolvente. Narrado em primeira pessoa, o humor é muito recorrente nos pensamentos e ações de Joey. Bem como suas confusões e pesares. Achei uma ótima abertura para a trilogia: o livro tem a história completa em si e não termina de modo muito brusco do tipo “leia o próximo livro para saciar sua curiosidade, HÁ!”. Não, nada disso – fato que me fez gostar ainda mais da história. A sequência da saga fica por conta de “The Silver Dream” (O Sonho Prateado em tradução livre), que ainda não chegou ao Brasil, confira a capa clicando aqui.

Título: Entremundos

Autores: Neil Gaiman e Michael Reaves

Título original: Interworld

Tradutor: Viviane Diniz

Editora: Rocco

Ano: 2014

Sinopse: Primeiro de uma trilogia de sucesso assinada a quatro mãos por Neil Gaiman e Michael Reaves, roteirista de TV premiado, “Entremundos” leva o leitor a viajar por várias dimensões na companhia de Joey Harker, um garoto comum que, durante um inusitado teste de localização proposto pelo professor de Estudos Sociais, descobre ser um Andador, alguém capaz de deslocar-se de uma dimensão para outra. Enquanto tenta entender onde está e o que significa sua nova condição, Joey percebe que aquele é o começo de uma nova vida e de uma grande aventura em que magia e ciência se unem para garantir a paz em vários mundos.


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