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Uma Garota de Muita Sorte [Resenha]

uma-garota-de-muita-sorte-topoPor Pedro Henrique

30 de novembro de 2016

Uma Garota de Muita Sorte” é um livro que me deixou dividido. A estreia de Jessica Knoll no mundo literário com certeza será marcada por uma narrativa sagaz, intensa e com muito humor negro. Ainda assim, é a história de uma protagonista má, ambiciosa e manipuladora que não mede esforços para conseguir o que quer. Sim, isso lembra muito outras histórias – como “Maestra”, cuja resenha você pode ler aqui – que são protagonizadas por personagens sem muito senso de moral e ética, quase como versões alternativas da rainha de todas as novelas, Paola Bracho.

O livro de Knoll é interessante, um tanto realista nas suas descrições, mas bastante cru em seu conteúdo. A autora fez de sua obra quase uma crônica, mas sem a comicidade que esse gênero costuma ter. “Uma Garota de Muita Sorte” é um livro que traz à superfície os bastidores editoriais das grandes revistas de moda. Ao mesmo tempo, traz à tona o lado obscuro das pessoas, expondo seus defeitos, hipocrisias e segredos ao mundo.

Talvez você me pergunte como a história pode ser crua? Ela é crua porque é tudo muito à mostra, mesmo que, na teoria, tudo ocorra por baixo dos panos. Jessica Knoll fez de seu livro uma lavação de louça suja, quase que colocando em pratos limpos o que quer que ela pretendesse. E esse é o retrato de sua protagonista.

Ani FaNelli (a protagonista) é tudo, menos a mocinha boba e ingênua dos contos de fadas de qualquer era. A começar pelo seu nome – falso – tudo em Ani existe para manter uma imagem que, quase sempre, não corresponde à realidade. Ela trabalha numa grande editora de moda, onde escreve alguns textos sobre sexualidade e afins e cuida de outras coisas relacionadas ao mundo fashion. Ela é, como o nome do livro diz, uma garota de muita sorte mesmo: tem o emprego perfeito, o marido perfeito, o corpo (quase) perfeito, tudo como ela desejaria que fosse. Menos seu passado. E é aqui onde as coisas podem perder o controle. Ani vive a maior parte de seu tempo num duelo consigo mesma, com seu passado e presente, tentando manter uma imagem que, para ela, merece todo o sacrifício que for necessário.

Uma Garota de Muita Sorte” é um livro que me lembrou muito “Maestra”, de L.S. Hilton. Ambos os livros falam de glamour, disputa, imagem. Ambos os livros tem como protagonistas, mulheres que parecem lutar para esconder uma verdade (suja) sobre si mesmas e ambas vão às últimas consequências para isso. Entretanto, em “Maestra”, você tem uma personagem mais humana, por assim dizer, enquanto que em “Uma Garota de Muita Sorte”, Ani FaNelli é quase uma sociopata altamente funcional. Isso pode ser um choque e tanto para alguns. Para mim, foi muito mais fácil lidar e compreender a mentalidade da protagonista de “Maestra” do que no caso de “Uma Garota de Muita Sorte”. Em certos momentos, achei a Ani cruel demais e isso fez com que eu tivesse certa aversão por ela.

Uma Garota de Muita Sorte” foi lançado pela Editora Rocco e já teve seus direitos vendidos para mais de 17 países e para o cinema. O livro de 335 páginas se tornou um best-seller nos EUA e foi elogiado por grandes personalidades, como a atriz Reese Withersponn e a escritora de “O Diabo Veste Prada”, Lauren Weisberger.

Um grande abraço e até a próxima.

Boa leitura.

Revisado por Aline Machado.

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