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The OA – Do Estranho ao Bizarro [Crítica]

Por Pedro Henrique

20 de janeiro de 2017

Se eu pudesse definir minha experiência assistindo The OA em uma palavra, essa palavra seria ARREBATADORA. Ainda que, por um lado, a série faça um uso bem grande de alguns clichês já bem conhecidos, por outro, The OA instiga, provoca, remexe os sentimentos de uma forma quase visceral. É bem verdade que essa não é uma série para qualquer um, tanto pela temática que aborda, como pelo desenrolar de sua narrativa, mas isso de forma alguma diminui sua qualidade ou a torna ruim.

Lançada no último dia 16, The OA é mais uma produção original da Netflix em parceria com a Plan B e com a co-produção executiva de Brad Pitt. A série foi roteirizada por Zal Batmanglij e Brit Marling. Brit, aliás, protagoniza a série encarnando a personagem Oa/Prairie/Nina.

The OA começa com o retorno de Prairie à civilização. A menina, antes cega, que havia desaparecido por mais de sete anos, de repente retorna ao mundo, enxergando tudo e mais um pouco do que não via antes. É a partir disso que somos imersos numa narrativa um tanto atemporal em que passado, presente e futuro parecem irrelevantes diante de todo o resto. A história de Prairie – assim como a da série como um todo – é cercada por morte, desde a sua própria, passando pela de seus pais, até a de seus amigos e, em especial, do amor de sua vida, Homer (Emory Cohen).

Essa é uma série lançada sem muito alarde e, por causa disso, um certo clima de mistério rondou o período entre seu anúncio e seu lançamento. Quem viu o trailer de The OA, deve ter ficado com a sensação de que se tratava de mais alguma obra que misturaria pouco de Westworld, Stranger Things e Sense8, brincando assim com ficção científica e o sobrenatural. Não posso dizer que isso seja um equívoco porque The OA de fato explora a sensação de irrealidade de Westworld, assim como as muitas camadas do mundo real que se vê em Stranger Things, bem como todo o universo oculto que une as pessoas em Sense8. Entretanto, The OA é uma série que sabe bem a que veio e o que pretende explorar. Sua temática se sustenta do início ao fim sobre a lenda das experiências de quase morte – EQM – e é com isso que ela brinca: com o que consideramos viver e morrer. É, portanto, uma série que aborda o sobrenatural, mas que tem um dos pés fincado na ciência como instrumento de investigação.

E, nesse ponto, entra a participação de Jason Isaacs que, como em grande parte dos seus papéis, conseguiu dividir minha opinião pessoal sobre seu personagem mais uma vez. Isaacs interpreta o Dr. Hunter Aloysius Percy ou, como ele prefere, Hap (as iniciais de seu nome). Aparentemente, ele é um médico anestesista com um interesse um tanto  grande demais pelo fenômeno da EQM e que, por causa disso, saí literalmente à caça de pessoas que passaram por essa experiência, a fim de concluir sua própria pesquisa sobre o fenômeno. Ele é o nosso vilão da série ou, pelo menos, de grande parte dela.

O que mais me tocou em The OA foi o aspecto emocional da trama expresso através das sensações de Prairie, do ballet que ela e outros personagens dançam em várias cenas, os desfoques usados em algumas ocasiões, o contraste de cores entre “o nosso mundo” e o outro lado. Tudo isso – e outras coisas mais – deu uma carga emotiva muito grande para a série e, em alguns momentos, eu tive muita vontade de acompanhar os personagens nos cinco movimentos (não pergunte. Assista e descubra o que são os 5 movimentos).

Obviamente, não é uma série perfeita, apesar de eu não ter encontrado nada que me incomodasse de verdade. Alguns personagens secundários somem tão rápido quanto aparecem, mas nada que seja um ponto negativo. Alguns efeitos – como os das cenas no outro lado – podem parecer um pouco berrantes, mas fazem muito sentido dentro do contexto da série. A trilha sonora é algo realmente a se destacar e que acompanha muito bem o desenvolvimento dos episódios.

2016 foi um ano que marcou a história da Netflix com muitos lançamentos interessantes; The OA, sem dúvida alguma, entrará no hall dos maiores sucessos da produtora e merece a atenção de cada um de vocês. Fica aí a nossa indicação.

Grande abraço.

Até a próxima.

Revisado por Artemis Ichihara.

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