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Tales From The Borderlands [Crítica]

tales

por Artemys Ichihara
22 de setembro de 2015

Produzido pela TellTale Games em parceria com as já conhecidas aqui do site Gearbox Software (também responsável por Half-Life) e 2K Games (também conhecida por distribuir jogos como a franquia BioShock), Tales From the Borderlands é mais um jogo da série TellTales, como The Walking Dead: The Game e Game of Thrones.

Com a premissa de preencher o gap temporal entre o fim de Borderlands 2 e o prólogo de Borderlands: The Pre-Sequel!, Tales nos apresenta a duas personagens jogáveis distintas com motivações primárias bastante díspares mas que, graças ao ambiente nem um pouco amigável da realidade de Pandora, passam a trabalhar juntas. A primeira personagem jogável a ser apresentada é Rhys, um funcionário da Hyperion que, como quase todo o corpo de funcionários da empresa, sonha em ser o novo Handsome Jack e recebe uma baita punhalada do destino ao descobrir que sua promoção foi “roubada” por seu arqui-rival dentro da empresa, Hugo Vasquez. Depois de uma conversa bem ao estilo “Borderlands” de ser, Rhys e seu melhor amigo, Vaughn, com auxílio de outra funcionária da Hyperion também grande amiga dos dois, Yvette, vão a Pandora buscar a ruína da carreira de Vasquez.

A segunda personagem jogável a ser apresentada é Fiona, uma “con artist” (ou, em bom português, uma trambiqueira) que, junto de sua irmã Sasha e seu pai de criação Felix armam um esquema para vender uma Vault Key falsa para ninguém menos que Vasquez.

Obviamente que o plano de Rhys e Vaughn para acabar com a carreira de Vasquez envolvia a compra da Vault Key (e o roubo de dez milhões de dólares), e, justamente por isso, eles vão no lugar de Vasquez para concluir as negociações. É a partir daí que as coisas começam a ficar estranhas e que os destinos de Fiona e Rhys se entrelaçam de maneira aparentemente inseparável.

fionna-rhysDividindo cutscenes com cenas de ação pré-determinada, a narrativa do jogo se constrói de acordo com as decisões tomadas durante o percurso da história. Os NPCs se lembram das respostas tomadas e das ações feitas e isso pode ajudar ou atrapalhar seu desenvolvimento no jogo. Ainda que a jogabilidade, totalmente diferente da franquia produzida pelo time 2K/Gearbox, possa fazer com que jogadores assíduos da série não se sintam confortáveis em embarcar em tal aventura, o essencial de Borderlands se mantém a cada nova cena: o humor questionador extremamente ácido e irônico; um desenvolvimento surpreendente e que mexe profundamente com o psicológico dos jogadores; as piadas e innuendos com referências a outras obras (dica: tem referências desde Cowboy Bebop a Curtindo A Vida Adoidado no jogo); e inclusive diversas referências aos demais jogos da franquia. Como se isso não fosse o suficiente, somos imersos ainda mais na realidade nada amigável de Pandora e seus Bandits, entre as diferentes classes, com uma atenção e um carinho especial aos já tão-amados Psychos. Como uma maneira de manter a estrutura-base da narrativa do jogo, o prólogo de cada capítulo é narrado por Marcus Kincaid, com a mesma estilística das demais introduções dos outros jogos.

Como já era de se esperar, a trilha sonora é tão impecável e acurada quanto aos dos outros jogos. Trazendo um tema diferente para cada capítulo, as aberturas de Tales From The Borderlands seguem mais ou menos a estrutura do restante da franquia, onde a música apresenta um clipe com o que está acontecendo no momento. Com temas feitos por diversas bandas de estilos distintos, Tales From the Borderlands acrescenta The Rapture à lista de grandes bandas indie que já fizeram temas para a franquia (junto de Cage The Elephant e The Vines).

Uma nova dimensão do universo de Pandora, Tales From The Borderlands será, provavelmente, uma prequel fundamental para o entendimento do futuro Borderlands 3. Ainda que a estrutura em capítulos, semelhante a jogos como Life Is Strange possa desanimar a compra e posterior imersão no jogo, a experiência provida pela parceria entre a 2K, Gearbox  e TellTale faz com que a espera valha a pena. Embora relativamente curto — o jogo não tem mais do que dez horas corridas, e não deve passar de cinquenta se jogado com todas as opções possíveis –, Tales From The Borderlands é conteúdo do começo ao fim, surpreendendo os jogadores e, inclusive, trazendo grandes mudanças na história principal da grande ópera que compõe a franquia.

Amante de Pandora, membro do Culto do Vault, devoto do Culto do Firehawk ou simplesmente procurando um bom jogo para passar o tempo? Não se preocupe, porque Tales From The Borderlands é exatamente o que você precisa.

BECAUSE-REASONS

nota mental: não deixar o mr. torgue editar a imagem de nota da próxima vez :(


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