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Sherlock – 4ª Temporada [Crítica]

Por Adrien

23 de Janeiro de 2017

 

Essa temporada de Sherlock adotou um formato diferente das outras, distanciando cada vez mais de como era na primeira temporada. Isso incomodou alguns fãs, mas querendo ou não, séries evoluem e mudam com o tempo para não ficarem repetitivas. Desde a terceira season, Sherlock tem se focado mais nas relações entre os personagens do que os complexos casos que são investigados. O casamento provavelmente foi um marco forte disso, que aproximou mais o detetive dos Watson.

The Six Thatchers foi uma introdução, ligando o mistério sobre Moriarty da season 3 e também mostrando muito mais qual o papel de Mary, que mesmo tendo um passado obscuro e perigoso, exibe sua importância na vida de John e inclusive Sherlock. Apesar da enorme possibilidade dela odiar o detetive (e vice-versa), eles abraçam um ao outro e criam uma amizade especial, tornando poderosa cada dupla desse triângulo. Mary entende o impacto que Sherlock tem na vida de John, possivelmente por já ter passado por essa sensação de aventura a qual ele se apegou e que o salvou dos traumas da guerra. O companheirismo deles é muito forte e Sherlock promete protegê-los a todo custo ao descobrirem que Mary está na mira de algum criminoso.

Mas ao mesmo tempo que o relacionamento de Sherlock e Mary melhora, o de John e a esposa parece decair um pouco, pois todo mistério sobre a vida dela faz com que ele perca a confiança, por mais que a ame muito. E no meio dos problemas na sua própria mente, Holmes chega cada vez mais perto do culpado e o culpado se aproxima cada vez de Mary. A maneira que ela morre, tentando salvar o amigo, só mostrou o quanto ela realmente gostava de fazer parte daquela família e que o passado realmente não interfere em nada.

E apesar desse final chocante (que era esperado que acontecesse somente mais tarde), o episódio foi calmo e um pouco entediante. Provavelmente minha parte preferida nele foi Sherlock lutando, um detalhe sobre ele nos livros que não exploraram muito na série.

Outra coisa que exploraram mais, foi Sherlock drogado no segundo episódio, The Lying Detective. É sabido que na literatura o personagem utiliza alguns tipos de drogas, não apenas cigarro. Ele provavelmente usa mais vezes do que é mostrado na série, mas deu a entender que ele se aprofundou mais nas drogas depois da perda de Mary e por John ignorá-lo. Com o belo estilo de filmagem da série, vimos o ponto de vista dele e do que estava passando na sua cabeça e seu mind palace sem saber o que era verdade e o que não era. Isso tornou o caso do serial-killer Culverton Smith ainda mais interessante, apesar de que o tempo todo não tínhamos certeza se estava acontecendo mesmo ou se ele era inocente.

E isso tudo se uniu com o CD que Mary fez para Sherlock, dizendo que para salvar John, Sherlock teria que ser salvo. Mais uma vez mostrou a importância no relacionamento entre os três, e como eles se conheciam bem. E mesmo com todo perigo, o detetive se arrisca pelo amigo.

O destaque desse episódio foi a Mrs. Hudson, que se mostra poderosíssima e com a melhor parte do roteiro. Ela foi o alívio cômico de toda tensão que estava acontecendo, sendo uma amiga com característica de “mãe” para Watson e Holmes (mas nunca a housekeeper).

As opiniões sobre The Final Problem ficaram divididas. Com falhas no roteiro, a história pode ter parecido preguiçosa, mas isso não tornou o episódio ruim. Teve um clima pesado de Jogos Mortais e inclusive estava cheio de referências a outros filmes de terror como Hannibal e O Chamado (ainda não tenho certeza se foram intencionais, mas ficaram bem claras), e ao tornar os protagonistas vítimas, acredito que o propósito mesmo era deixar o telespectador ansioso pelo que estaria a acontecer.

Repleto de plot twists, o episódio mostrou que Moriarty não estava vivo mesmo e tudo foi a obra da Eurus, a irmã esquecida dos Holmes, completamente psicopata que tomou a decisão de usar sua inteligência para fazer experimentos humanos invés de ajudá-los. Além disso, mostrou que o trauma de infância de Sherlock perder o cachorro na verdade foi perder o seu melhor amigo. Isso faz sentido, sua mente pode ser reconstruída como o seriado descreve, de forma que protege você mesmo de suas memórias. Perder o melhor amigo por causa da irmã invejosa e psicopata é um ótimo motivo para que isso tenha acontecido com Sherlock.

Mas o problema de The Final Problem foi a bagunça ao misturar cenas de uma menina num avião caindo, Eurus nos monitores exibindo um controle excepcional sobre as pessoas, e então, em certo ponto da história, Sherlock acordando de um desmaio para encontrá-la desamparada em sua antiga casa, John preso num poço e descobrindo que na verdade a garotinha no vôo estava dentro da mente de Eurus. Além da confusão, mesmo que na mente dos roteiristas há uma lógica nisso tudo, ficou muito confuso e mal explicado na tela.

Apesar dos defeitos, a 4ª temporada acabou muito bem e com um gostinho de series finale. Os roteiristas ainda não sabem se vão continuar, portanto finalizaram o último episódio de maneira que seria um bom encerramento para o seriado. Sob a voz gravada de Mary, cenas de Sherlock, John e outros personagens são passadas, já trazendo saudade e também um sentimento de satisfação click this link now.


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