Home » Destaque » O Livro de Ouro do Hagar o Horrível [Resenha]

O Livro de Ouro do Hagar o Horrível [Resenha]

hagar-o-horrvel-topo

Por Pedro Henrique

31 de outubro de 2016

Sempre gostei de tirinhas de jornal. Ainda que não conheça muitas, esta é uma seção pela qual sempre me interessei. Quando tive a oportunidade de ler “O Livro de Ouro do Hagar, o Horrível”, não pensei duas vezes e corri atrás do livro.

Hagar, o Horrível é um icônico personagem criado em 1973 por Dik Browne, cujo nome verdadeiro é Richard Arthur Allan Browne. As histórias de Hagar foram um dos grandes sucessos de Browne (senão O grande sucesso) e começaram sua jornada ganhando, em 1973, o Reuben, uma espécie de Oscar dos quadrinhos. Apesar desta não ser sua única criação de sucesso, é, talvez, a mais conhecida.

Por causa desse sucesso, o pessoal da Pixel Media resolveu nos agraciar com um livro contendo uma coletânea de várias tirinhas do autor, lançadas entre 1977 e 1980, época considerada o auge de Hagar, quando Browne estava em sua melhor forma. Apesar do tempo em que as tirinhas foram escritas, a maior parte delas continua bem atual enquanto outras, por sua natureza, são bem atemporais.

Tirinhas me agradam por serem, em grande parte das vezes, um tipo de literatura um tanto descompromissada, isto é, nem sempre se preocupam com temas atuais ou críticas de assuntos diversos. E isso vale muito para as histórias de Hagar, o Horrível; ainda que em muitas tirinhas nós possamos identificar críticas a certos assuntos da atualidade, na maior parte do tempo temos uma história trivial e até boba sem que isso a torne ruim.

Hagar, o Horrível é o típico estereótipo do homem viking: é grande, barbudo, bruto e grosseiro. Não é um homem de muitas preocupações além de comer e saquear outros reinos. Contrabalanceando a cena, temos Helga, esposa de Hagar e, por assim dizer, a cabeça da família. Enquanto Hagar representa o estereótipo do homem viking, Helga parece fugir de tudo isso ainda que, nas entrelinhas, represente o papel da mulher do lar. O interessante é que, apesar de serem personagens independentes em certa medida, um não existe sem o outro e isso constrói uma base interessante para o que se tem de cômico em “Hagar, o Horrível”.

Óbvio que Hagar e Helga não são os únicos personagens da história, mas são os que protagonizam grande parte das tirinhas apresentadas no “Livro de Ouro do Hagar, o Horrível”. As histórias, como disse, passeiam entre trivialidades e críticas a certos assuntos da atualidade que, mesmo há mais de 40 anos, continuam bem contemporâneas. Temos Helga lutando para satisfazer a fome quase infinita de Hagar. Temos Hagar saqueando reinos sem nem saber o porquê disso. E temos o homem viking mostrando que, por baixo da carapaça de homem bruto e selvagem, existe toda uma gama de paternalidade e amor familiar.

Hagar, o Horrível, é uma história que brinca muito com certas ideias e que se mostra bastante ousada em muitos sentidos. Um pouco disso se vê quando a criação de Dik Browne traz alguns questionamentos interessantes sobre papéis de gênero e isso se vê frequentemente na relação de Hagar com sua filha, Honi. Ainda que não seja perfeito (até mesmo pelas limitações que esse tipo de literatura impõe), é uma coisa interessante de se ver. Helga, por exemplo, ainda que cumpra o papel de mulher do lar na maior parte do tempo, foge naturalmente disso em muitas ocasiões, mostrando ser não uma mulher submissa e obediente, mas literalmente, a chefe dentro e fora do lar, dominando, inclusive, Hagar.

O livro da Pixel Media tem pouco mais de 120 páginas recheadas de muitas histórias e aventuras de Hagar, Helga e sua família. E tem também, uma breve biografia do criador, Dik Browne e um pouco de como as histórias de Hagar, o Horrível conseguiram sucesso. É um livro perfeito para os aficionados por tirinhas de jornais e para aqueles que, como eu, adoram rir de coisas leves e descompromissadas.

Um grande abraço e até a próxima.

Revisado por Adrien.

hagar-o-horrivel-nota