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O Canto dos Segredos [Resenha]

Por Aline Dias

12 de Junho de 2017

O mistério que envolve O Canto dos Segredos é o seguinte: após um ano da morte de um rapaz – Chris, que (quase) todo mundo odeia – do internato para garotos, surge nesse canto a mensagem (em letras recortadas) “Eu sei quem matou”. Mas por quê só agora alguém quis desabafar no “Canto dos Segredos” – o mural do desabafo anônimo situado no internato para meninas, o St. Kilda – que sabia algo? O que mudou em um ano?

Fundo de cena: internatos, grupos rivais de adolescentes, gente apaixonada, gente invejosa, gente aparecida, gente esperta, gente indecisa, gente que gosta de fazer bullying, gente que não aguenta gente que gosta de fazer bullying, ou seja, como qualquer outro lugar na face da Terra. Porém, diferente (espero :/  ) dos colégios onde estudamos o Ensino Médio, houve um assassinato e a polícia não conseguiu desvendar.
Daí surge Holly Mackey, filha de um policial de alto escalão, uma das alunas do St. Kilda que leva o bilhete para a polícia, mas não quer se envolver demais no caso, por vários motivos. Ela leva o tal bilhete para o policial que havia a ajudado num caso, vice versa, quando ela foi testemunha e era criança ainda. Ele a havia tratado como um ser humano e não como uma idiota. Stephen Moran, o detetive, estava querendo há tempos mudar de departamento, sair dos Casos Não Solucionados e ir para a divisão de Homicídios e viu nesse caso uma oportunidade para realizar seu objetivo.
Para ele prosseguir, precisa entrar em contato e trabalhar com a responsável pelas investigações na época, Antoinette Conway, que é uma policial durona, de pouquíssimos amigos e difícil de lidar. Após umas faíscas, ela concorda com ele trabalhar como seu auxiliar. Ao entrar em contato com o ambiente do internato, ambos se sentem desconfortáveis, por virem de origem mais simples. Há choques de classes entre as alunas e outras pessoas do internato e os investigadores. Dá agonia e pode causar uns flashbacks em quem já passou por isso.

A história acontece em um dia, mas o passado nos é recontado em flashbacks, além dos dias que restam para Chris que nos são dados a cada começo de flashback. O narrativa muda de ponto de vista, mezzo Moran, mezzo Holly. As descrições dos lugares, cada detalhe das personagens, trejeitos, sentimentos demonstrados em pequenos gestos ou micromovimentos são muito bem feitos, até mesmo as gírias e ritmo de conversas entre as diversas personagens do livro. O desenrolar da história é interessante, mas um pouco lento. Poderia ser contado em menos páginas, talvez umas 450 ou 500, mas mais de 600 páginas dificulta um pouco conseguir terminar de lê-lo e também de carrega-lo (eita livro pesado) além de conseguir manter a leitura mais fluida.

Há muitas coisas a considerar e contar sobre esse livro, porém, acredito que o que pesa muito é o questionamento do que é a amizade. Durante a história toda, as amizades são questionadas, postas à prova e, segundo a própria autora numa entrevista, é difícil ser uma pessoa saudável e completa sem ter amigos, talvez sem filhos ou companheiros, mas sem bons amigos, não dá.

Tana French é atriz, mas prefere no momento se dedicar aos seus livros. É bestseller e vencedora de vários prêmios, nasceu na Irlanda, deu uns rolês pelo mundo enquanto foi crescendo, mas mora em Dublin hoje em dia. Escreve muito bem. Recomendo a leitura (principalmente para leitores de ebooks). Quatro estrelas porque me manteve curiosa e não consegui terminar logo a leitura xD (e a narrativa deu uma esticadinha a mais também).

 

 


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