Home » Destaque » Norman, Norma, Normal [Colabore]

Norman, Norma, Normal [Colabore]

1974514_765130803497720_2081759399_n

Por Daniel Henrique via Colabore.

Título: Psicose

Autor: Robert Bloch

Editora: DarkSide

Número de páginas: 240

ISBN: 9788566636154

A primeira vez que ouvi falar sobre Psicose foi na faculdade. Até então, eu conhecia apenas o filme, dirigido por Alfred Hitchcock, com aquela cena icônica do chuveiro, que junta um suspense de tirar o fôlego com uma trilha sonora inesquecível e arrepiante. Não sabia que o filme era baseado em um livro naquela época e, diga-se de passagem, um livro tão bom.

Bem, devo dizer que, ao contrário do que imaginei que o livro seria ainda naquela ocasião, Psicose foi totalmente diferente: de uma forma impressionante. Não me levem a mal, embora eu ame Drácula de Bram Stoker, Frankenstein, O Médico e o Monstro e Cia., horror não é bem o gênero literário que me cativa e me define. Não apreciei muito a leitura de A Volta do Parafuso e O Castelo de Otranto, por exemplo.

Lembro que estudamos um pouco sobre a psicologia que existe nesses contos de horror/terror (algo pelo qual sou fascinado), e Psicose é um dos livros mais psicológicos que já li. É simplesmente fascinante. Eu me senti na mente de um verdadeiro psicopata, e isso foi perigosamente delicioso. No final, nada, nunca, era o que eu imaginava. Norman, Norma, Normal é um exemplo disso.

Se você espera por um livro cheio de adolescentes, sangue, correria e sexo (a fórmula hollywoodiana do terror), bem ao estilo de “Pânico na Floresta”, esqueça este livro: Psicose não é para você. Embora, verdade seja dita, ele possui a sua cota (e que cota!).

O livro fala sobre como uma jovem chamada Mary Crane rouba quarenta mil dólares de seu patrão (àquela época, 1959, uma imensa fortuna) e foge para a cidade interiorana onde seu namorado Sam vive. O caso é que Mary se perde no caminho, e numa estradinha abandonada, sob um temporal apocalíptico, ela se depara com o Hotel Bates.

O lugar onde o demônio reside.

Lá vivem Norman Bates e sua velha e ranzinza mãe, Norma. O hotel é o tipo de lugar abandonado e mal cuidado, uma vez que a estrada na qual foi construído foi praticamente abandonada, com a construção de uma nova rodovia que leva até a cidade. Mary Crane, então, decide passar a noite lá, e é assim que a história começa a tomar corpo e se tornar cada vez mais sagaz e viciante.

Só posso dizer que nada acontece do como COMO você espera, e o autor nunca leva a história para o rumo que você imaginava. O que te surpreende, porque Robert Bloch acaba te provando que tem mais criatividade que você, e que a mente psicótica dele é mais capaz de elaborar tramas arrepiantes que a sua.

Para finalizar, devo dizer que o trabalho que a editora DarkSide fez com esse livro merece todos os aplausos: a arte é simplesmente fascinante, a diagramação bem centrada, e existem duas versões, em brochura e capa dura. Ao percorrer todas aquelas páginas negras e obscuras, é como se você estivesse escondido entre as paredes cheias de segredos do Hotel Bates e ficasse por lá, espiando. Eu me senti ainda mais dentro da história, e isso foi super válido.

Sem dúvidas, esse livro se tornou um dos meus preferidos.

_____________________________________

Gostou da resenha do Daniel Henrique? Quer fazer como ele e participar do nosso site enviando teu texto? Então dá uma olhada na Página do Colabore e saiba como! Estamos esperando sua colaboração!


Leia também: