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Marvels: o conflito humano na perspectiva do herói [Crítica]

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por Alexandre Moreira

em 24 de Setembro de 2014

Aos fãs dos amados heróis da Marvel Comics, a graphic novel “Marvels” é um prato cheio. A série (também lançada em volume único) é uma sequência de 4 HQs que retratam parte da história da Marvel na criação de alguns de seus heróis principais.

A trama é amarrada na cidade de Nova Iorque entre os anos de 1930 e 1974, palco para diversas batalhas dos mascarados. Escrita por Kurt Busiek, ilustradas por Alex Ross e editada por Marcus McLaurin foi lançada originalmente em 1994. A narrativa é feita a partir do olhar de um civil: Phil Sheldon, um fotógrafo que trabalha em um jornal da cidade. Por esse motivo, alguns fatores são postos para questionamento aos leitores, contribuindo assim para uma estória mais complexa e a obra um pouco mais profunda.

Marvels tem como premissa a presença dos heróis: quem são? Que autoridades eles tem sob nós (humanos)? Estamos seguros e confortáveis com essas criaturas super-poderosas voando sob nossas cabeças? A partir do aparecimento dos primeiros heróis a mídia tem um papel fundamental na construção da leitura feita pelos cidadãos: vilões ou justiceiros? Fica claro na sequência das páginas que não são as ações deles que determinam isso, e sim o que a mídia expõem para que isso ocorra. Phil, no primeiro livro apresenta aos leitores o avanço científico em paralelo aos conflitos entre o Tocha Humana e Namor.

O choque e a efervescência com o aparecimento das “maravilhas” é retratado com muito realismo em cada trabalho gráfico. O roteiro ocupa um lugar fundamental com esse papel junto à trama muito bem amarrada do começo ao fim.

Aquele medo do desconhecido característico em diversas narrativas de heróis é evidenciado na segunda estória da coleção quando os X-men aparecem na cidade.  E nesse ponto temos o jogo de relação Mutantes x Maravilhas: de um lado os estudantes do Professor Xavier são vistos como aberrações e portanto, passiveis de ser eliminados pelas Maravilhas (os heróis efetivamente). Nesse cenário o fotógrafo entra em muitos conflitos intrapessoais: “afinal, os heróis não são, de certa forma, mutantes também?”.

Talvez a mais profunda e complexa estória tenha ficado com a terceira narrativa: quando Galactus aparece na cidade, há um jogo de ética e poder evidenciado. A autoridade dos heróis é questionada, aos moldes do que  Alan Moore fez magistralmente em Watchmen. E o papel da mídia é uma vez mais, fundamental para as relações politicas e sociais da presença destes seres “supremos” no mundo.

A quase divindade do Capitão América e demais heróis fica bem retratada com as brincadeiras de ângulo e luz feitos na graphic novel. Resultado de estudos fotográficos do ilustrador, que – para cada trabalho – realizava testes com sua câmera de forma a tornar as sombras e proporções mais próximas do real.

Na última estória, o surgimento do Homem-aranha deixa evidente para nosso narrador Phill a importância dos heróis para a vida de muitos inocentes. Muitos questionamentos sobre a presença deles na cidade e no mundo chegam ao fim de um modo confortável e fluído. A morte de uma personagem no entanto, evidencia o lado humano e portanto sujeito à falhas, mesmo daqueles com super-poderes.

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