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Encontro com Pedro: as companions de Doctor Who

As companions de doctor who

Por Pedro Henrique

18 de Agosto de 2014.

Nessa semana que antecede o início da oitava temporada de Doctor Who decidi falar sobre um grupo de personagens sem o qual a história de Doctor não teria o mesmo grau de importância que tem hoje. Em todos os seus mais de 1200 anos e de vida e 50 de seriado, poucos foram os momentos em que nosso amado gallifreyano esteve sozinho. Onde quer que fosse, sempre estava acompanhado de algum amigo(a). Costumo dizer que Doctor Who não é a história das aventuras de Doctor pelo tempo e espaço, mas sim, a história de sua vida com suas companions.

Desde quando saiu fugitivo de Gallifrey, Doctor sempre teve ao seu lado, alguém para acompanhá-lo e até mesmo, para mantê-lo nos trilhos. O Doutor “Quem” é um homem de muitas personalidades (literalmente), pode ir de um velho ranzinza e amargurado, passar por um homem excêntrico e bipolar e parar num jovem hiperativo e com pouco senso de moda. Para manter a si mesmo em ordem, ele precisa de alguém que lhe lembre que apesar de seus 1200 e tantos anos, ele ainda é mortal, poeira do universo, quase… humano.

E é aqui que entram nossas companions, todas elas, homens, mulheres, aliens, de todos os tipos. Em todos os 50 anos de série, um número realmente grande dessas personagens passou pela história do Doctor, marcando-o como nenhuma outra poderia marcá-lo. Se o Doc é um herói, ele não poderia sê-lo sem suas amadas e eternas companions. Por isso, listo abaixo algumas das que mais marcaram ao longo da série, incluindo duas da série clássica (que, apesar de eu conhecer pouco, já assisti alguns episódios). Só lembrando, como sempre, que não vou listar as companions aqui por ordem de importância, mas por ordem de aparição porque, convenhamos, todas são super importantes!

Atenção, SPOILERS podem ser encontrados abaixo!

1 – Susan Foreman – Série Clássica

SUsan Foreman Doctor Who

Doctor Who foi ao ar pela primeira vez em 1963. Como um fugitivo de sua terra natal – Gallifrey – Doctor veio parar na Terra do século XX, junto de sua neta, Susan Foreman. Por conta disso, foram forçados a viver aqui como humanos normais, despertando a curiosidade de algumas pessoas. Entre elas, dois professores da escola onde Susan passou a estudar.

Confesso para vocês que nunca fui muito admirador da Susan. Inicialmente, ela parece uma garotinha indefesa que só sabe chorar. Porém, ao longo da história, você acaba percebendo que mesmo por trás de toda aquela aparência frágil, Susan decide crescer e evoluir. E a neta de Doctor se torna uma verdadeira dama! Foi Susan quem acidentalmente trouxe para a TARDIS, o primeiro team doctor, composto por ela, Ian Chesterton, Barbara Wright e, é claro, o Doctor. Ian e Barbara eram dois professores da escola onde Susan estudava e que ficaram um tanto curiosos com o excêntrico conhecimento que Susan apresentava nas aulas, não correspondendo a toda a realidade da Inglaterra da década de 1960. Por isso, Ian e Barbara decidem investigar a vida de Susan, indo até sua casa – um ferro-velho abandonado. Lá descobrem o Doctor, Susan e sua nave espacial, chamada por Susan de TARDIS, uma abreviação para Time and Relative Dimension in Space (Tempo e Dimensão Relativas no Espaço, em tradução livre). E assim, acidentalmente, eles iniciam sua primeira aventura pelo espaço-tempo, indo parar na pré-história.

Susan foi uma eterna surpresa para mim porque, como disse, começou sua história como uma garotinha frágil e indefesa e terminou como uma dama forte e independente. Seu desfecho, por sua vez, pode ser considerado um dos mais dramáticos da série, pois não houve um acidente, alguém morrendo e nem nada do tipo. Ela simplesmente disse adeus. E como vocês bem sabem, o Doctor não é um homem de despedidas e essa foi, talvez, sua despedida mais dolorosa tanto que, desde então, todas as suas companions passaram a ter algum traço que lhe lembrasse sua amada neta, que deixou a TARDIS para viver como uma humana normal aqui na Terra. (tem um olho na minha lágrima)

2 – Sarah Jane Smith – Série Clássica e Atual

Sarah Jane Smith Doctor Who

Acho que se fizerem um concurso para elegerem a queridinha das companions de todas as eras de Doctor Who, Sarah Janes ganha em disparada. E não é por menos! Sua importância para a série é tão grande que ela foi a única companion da era clássica a aparecer na era atual, tendo um papel fundamental na história e abrindo um spin-off sob sua liderança (que eu ainda não vi).

Sarah Jane teve sua primeira aparição ainda com o terceiro Doctor da era clássica, presenciando seu terceiro momento de regeneração, no qual ele transmuta para aquela que também pode ser considerada a versão mais amada de Doctor. Desde então, Sarah passou a acompanhá-lo por suas aventuras pelo tempo e espaço, ficando poucas vezes aqui na Terra até que, como tudo, sua história chega ao fim e o Doctor a deixa, junto com seu cão tecnológico de guarda, K-9.

Mas, quem pensa que a história entre eles terminaria aqui, engana-se. No meio da segunda temporada da era atual, quem aparece??? Ela mesma, Sarah Jane Smith e ela chega abalando todas as estruturas do nosso querido e amado Doctor (e minha versão preferida), causando uma onde de ciúmes adolescentes na jovem Rose Tyler!

Com Sarah, foi amor a primeira vista. Sua força, coragem e inteligência dominam e ela acaba prevalecendo muitas vezes sobre o Doctor. Infelizmente, a vida meio que decidiu imitar a arte levando ao fim sua história na TV e no mundo real. E aí, eu me lembro que Doctor Who é uma história cheia de perdas, mas que nos ensinam a valorizar as coisas mesmo que elas durem um pedaço mínimo de tempo porque, no fim, somos todos poeira do espaço, somos todos parte do mesmo universo.

3 – Rose Tyler – Série Atual

Rose Tyler Doctor Who

Rose, Rose! O que dizer dessa garota que divide os fãs de Doctor Who entre pro-Rose e anti-Rose??? Sério, já vi altas polêmicas em relação a ela e, sinceramente, fico triste. No meu ponto de vista, Rose Tyler foi uma versão adaptada de Susan Foreman, quase como se ela incorporasse tudo o que Susan foi, exceto pelo fato de que, aqui, ela não tinha qualquer parentesco com o Doctor. E, ironicamente, seu desfecho foi muito, mas muito semelhante ao que aconteceu no desfecho de Susan. As duas ficaram na Terra enquanto o Doctor viajava pelo tempo-espaço. Ironicamente, Susan e Rose causaram um efeito devastador mas muito parecido ao deixarem o Doctor. Enquanto o Doctor de Willian Hartnell tentava encontrar companions que lembrassem sua neta, o Doctor de Tennant tentava fugir da lembrança de Rose.

E o amor entre eles? Doctor nunca superou a perda de sua neta assim como nunca superou a perda de Rose. Em ambos os casos, ele tentou achar algo que substituísse a presença delas sem, contudo, ter muito sucesso nisso. Mesmo criando um metadoctor seu, não era ele que ainda estaria com Rose na Terra paralela. Mesmo deixando que Susan vivesse sua vida na Terra, ele não mais estaria incluído nela.

Eu, particularmente, sofri e sofro muito com a partida de Rose até porque, ironicamente, ela apresentou o mesmo padrão de desenvolvimento que Susan teve. Quem viu a Rose da era Eccleston e a compara com a da Era Tennant-Donna, com certeza há de notar diferenças gritantes. Aquela Rose que vivia a sombra do Doctor passou a viajar sozinha pelos paradoxos do tempo, lutando contra Daleks, guiando Donna Noble anonimamente e – acá – salvando a vida do Doctor! Foi ela quem descobriu como reencontrar o Doctor quando ele já não tinha qualquer esperança de vê-la novamente. Podem falar o que for, mas Rose será para sempre uma de minhas favoritas!

4 – Donna Noble – Série Atual

Donna Noble Doctor Who

Se Rose Tyler é minha amada, Donna Noble é minha suprema!

Sim, Donna Noble é e será sempre minha companion preferida, amada e idolatrada por todos os tempos e realidades paralelas do universo! A mulher mais importante do universo conseguiu ser, para mim, a mulher mais importante de toda a série atual. Esqueça Rose e suas batalhas contra Daleks, esqueça Martha Jones e sua luta contra o Master, esqueça tudo. Donna Noble é a mulher que impediu que o universo acabasse e que tudo se tornasse um mundo de Daleks!

Donna Noble teve sua primeira aparição no início da terceira temporada da série atual, logo após o Doctor estar sozinho, sem sua amada Rose. E tão rápido quanto apareceu, ela se foi, deixando essa temporada nas mãos de Martha Jones. Mas, ironicamente, ela incorporou o espírito de Sarah Jane Smith às avessas e voltou para o lado de Doctor na quarta temporada, sendo sua companheira até o fim da era Tennant (preciso de lenços).

Se Rose está para Susan, Donna está para Sarah. Na era atual, Donna Noble sempre foi a única mulher que confrontou o Doctor, que sempre o encarou no mesmo nível, não se deixando levar por uma possível superioridade que os séculos de experiência do Doctor pudessem impor a ela. Donna sempre se pôs como a terráquea mais importante do mundo mesmo que não fosse, numa primeira análise, a mulher mais inteligente ou mais bem dotada desse mundo. E Donna se destacou por vários motivos, até mesmo por seu perfil, sendo uma das companions mais velhas da era atual, fugindo daquele padrão de jovem donzela indefesa. Donna nunca foi uma donzela indefesa, mas teve seus momentos de fragilidade.

Donna carregou, literalmente, o universo nas costas quando conseguiu reverter o plano maquiavélico dos daleks, se tornando não só a mulher mais importante do universo, como a mais inteligente também. Foi ela quem deu a Rose seu próprio Doctor particular. Foi ela quem impediu que o Doctor se matasse por acidente num impulso devastador contra Racnoss. Donna foi a mulher que sobreviveu a tudo isso e, no fim, foi condenada a viver sem qualquer lembrança disso! (um caminhão de lenços umedecidos, por favor).

Sinceramente, o desfecho da história de Donna foi o que mais me partiu o coração e, ao mesmo tempo, o que me deu mais raiva do Doctor mesmo que, por outro lado, eu o compreendesse. Mas, sério, foi difícil lidar com a partida de Donna, especialmente em The End of Time. Há quem diga que Doctor Who deva ser secretamente escrita por Martin. Vá saber.

5 – Rory William Pond – Série Atual

Rory Williams Doctor Who

A quinta temporada de Doctor Who foi marcada, principalmente, pela presença de Amy Pond. Mas, sinceramente, quem me chamou mais a atenção não foi a menina que esperou, mas o Último Centurião.

Rory sempre esteve na história entre Doctor e Amy, mesmo que, no início, de forma não tão presente. Mas, depois que ele passa a integrar o time, as coisas mudam e ganham um ar muito mais familiar e até cômico. Rory surge como um coadjuvante e acaba terminando como um dos personagens mais importantes da Era Smith. Morre, renasce, morre de novo e volta a vida para então se despedir de suas aventuras pelo tempo e espaço. No meio de tudo isso, disputa seu lugar no coração de Amy junto com Doctor que, ao contrário dele, quer mais que ele tome ela toda para si. Rory é o perfeito exemplar do cavaleiro dos contos de fadas. Ao mesmo tempo, é aquele que nem sempre é lembrado. Ele vive à margem da história até que, numa reviravolta súbita, se torna o centro de toda a história, sendo responsável por uma das despedidas mais tristes da Era Smith.

A história de Rory, apesar de não ser  tão intensa como as das outras companions, é cheia de altos e baixos e, especialmente, cheia de evolução. Ele surge como um cara travado, tímido e apaixonado por Amy e termina como um Centurião Romano, cheio de coragem e força, que viaja pelo tempo e espaço para salvar tudo aquilo que ele ama. Esse é o Rory Pond, o Rory William, o homem que foi apagado pelo tempo e renascido pelo amor de Amy.

Claro que eu poderia citar outras companions aqui e imagino até que vocês esperassem que eu citasse a Amy, mas não foi o caso aqui. Esses cinco personagens, para mim, tiveram uma importância muito grande porque conseguiram não apenas mudar a história do Doctor, como o próprio Doctor. Como a Bea disse em seu post, Doctor Who é uma série que nos ensina a deixarmos o tempo em seu lugar, seguindo seu fluxo como deve seguir. Ao mesmo tempo, nos ensina que nada é absoluto, o tempo pode ser reescrito assim como nós mesmos podemos ser reescritos. O mundo não se resume somente a nós, mas a tudo aquilo que está ao nosso redor, especialmente nossos amigos, mesmo que nem todos eles estejam conosco o tempo todo. O que importa são as lembranças deixadas.

Grande abraço!


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