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Moana: um mar de aventuras [Crítica]

por Artemys Ichihara
2 de fevereiro de 2017

O mais recente lançamento da Walt Disney Pictures, Moana: um mar de aventuras, é um dos filmes mais aguardados nesse verão, tanto no Brasil quanto fora do país. O longa-metragem foi hypado por diversas camadas da sociedade, desde mães querendo paz nas suas férias até feministas surpresas com a temática e as características da personagem principal.​​

Mas será que o filme vale tudo isso? É sobre isso e muitas outras coisas que essa resenha vai tratar!

A premissa de Moana é, principalmente, falar da jornada da jovem princesa — ou como ela mesma gosta de dizer “filha do chefe da ilha” — em busca do semideus Maui, a fim de que ele devolva o coração da deusa Te Fiti e, assim, salve a sua terra natal. Dentro de sua temática, Moana tem como principal fonte de inspiração as lendas e elementos das culturas dos povos samoanos, mas também incorpora elementos de demais culturas do pacífico como, por exemplo, havaianos e fijianos.

Tudo começa com Moana ainda pequena, momento em que ela é escolhida pelo oceano para devolver o coração de Te Fiti. Boa parte do fio narrativo da primeira parte do filme se baseia no conflito interior que Moana trava entre liderar o seu povo e desbravar o mar além dos recifes, bem como no conflito não tão interior que esse desejo de se jogar ao oceano gera com o seu pai, líder da ilha, que deseja que sua filha nunca saia da terra firme. Anos depois, Moana está em seu trabalho de “estagiária de líder da ilha” e os alimentos começam a ficar escassos, além da ilha, aos poucos, estar morrendo. A única solução encontrada por Moana para salvar a sua ilha — ou pelo menos garantir a sobrevivência de seu povo — é viajar além dos recifes; decisão que seu pai veta veementemente. Após muitas canções e cenas tocantes entre Moana e sua avó, e Moana e sua mãe, a mais nova integrante do panteão das princesas da Disney vai em sua jornada marítima em busca de Maui e da salvação do seu povo.

A jornada de Moana, por vezes, se confunde com a sua própria jornada rumo à vida adulta, com seus questionamentos, dúvidas, e inseguranças características. O mesmo, por vezes, acontece com o Maui: um semideus egocêntrico, narcisista, e, por vezes, um pouco misógino.

Mas o que Moana tem de tão especial? Além do fato de trazer para as telas de todo o mundo algo que vai além de contos europeus do século XVII e XVIII, Moana tem uma mensagem de empoderamento feminino muito interessante. Embora não seja perfeito, e muito menos o grande filme feminista que todos vêm dizendo nos últimos meses, Moana é uma grata surpresa que recebemos nesse início de 2017. Além disso, o filme é muito divertido e com cenas emocionantes, fazendo com que a Disney volte às suas raízes de mesclar de maneira fenomenal cenas de comédia e de drama, sem perder a ternura e a qualidade artística pela qual o estúdio é mundialmente conhecido, e que sinceramente, vinha faltando em suas últimas produções.

Falando em qualidade artística, animação é maravilhosa. Os cabelos de Moana (diferente dos cabelos de personagens de certos outros filmes) não atrapalharam a animação do restante do ambiente, nos presenteando com cenas de oceano incríveis, ondas muito bem animadas, e cenarios de paisagens muito bem compostos com precisão e beleza de tirarem o fôlego. O uso da animação tradicional para compor partes e personagens do filme apenas aumentou a beleza estética da obra, tornando assim Moana um filme que pode tranquilamente competir com a beleza de outros clássicos do estúdio como, por exemplo, A Bela e a Fera. As músicas, por outro lado, provavelmente cairão no esquecimento rapidamente — uma vez que são complicadas tanto em melodia, quanto em letras, e ainda foram adaptadas de maneira preguiçosa na versão dublada.

Entretanto, esse detalhe não tira o brilho de Moana, pois seus personagens carismáticos seguram muito bem a narrativa do filme através de suas personalidades únicas e seu desenvolvimento muito bem trabalhado. Todos os personagens apresentados têm algum tipo de desenvolvimento durante a trama; personagens esses que incluem além de Moana e Maui, um frango, o próprio Oceano, e a avó de Moana, que em diversas situações a ajuda a encontrar seu caminho.

A principal mensagem de Moana é, sem dúvida, a de que somos capazes de qualquer coisa independente das nossas condições; mas não de uma maneira demagoga ou meritocrata, mas sim de uma maneira rea,l incentivando-nos a seguir os nossos sonhos de maneira realista.

Por fim, o que esperar de Moana? Um filme brilhante, com uma animação impecável, e os principais elementos de uma animação da Disney, remontando aos clássicos, mas adicionando elementos próprios da cultura atual; com personagens bem desenvolvidos, um roteiro bem trabalhado, e uma hora e meia de diversão na certa. Esteja sem companhia, na companhia da família, ou de outras pessoas queridas, Moana é uma ótima pedida de filme para se ver no cinema nesse verão. Vale completamente o ingresso.