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Casa mal assombrada [Conto]

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Por Mari Almeida

Olá pessoas! Bom, aqui está o meu conto de terror.

Acho que este é um dos gêneros mais difíceis de se escrever, afinal, o que me assusta pode não assustar mais ninguém. Mas eu dei o meu melhor, e eu espero que, ao menos, você fique com um pouquinho de medo de ficar com as luzes apagadas quando terminar o texto!

Durante a história, uma música vai começar a tocar. Para melhor leitura, eu recomendo que escutem essa música do momento em eu ela aparece até o final do conto. Clique aqui para escutar.

Boa leitura! Bom Halloween!

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- Relaxa – afirmou Alexandra, escalando o muro principal da casa, pronta para pular – isso aqui tá abandonado há anos, ninguém vai pegar a gente.

- Eu não tenho medo que peguem a gente – rebateu Brian, escalando o muro também – eu tenho medo do que pode ter aí dentro. Nunca ouviu as histórias do vilarejo? Eles falam de gritos, sussurros…

- De fantasmas feitos de lençol branco que balançam correntes e gritam “BUUU”? Sério, cara, se vai ficar amarelando a noite toda, pode ir embora. – Alexandra pulou o portão e começou a andar pela grama seca e malcuidada, em direção ao maior casarão do vilarejo.

A lanterna que a garota segurava iluminava fracamente a mansão, que possuía dois andares, com janelas quebradas e uma pintura branca escurecida pelo tempo. No meio do jardim, um carro antigo jazia abandonado, comido pela ferrugem e invadido pela mata desgovernada.

Alexandra abriu a porta e entrou na casa, que por dentro era tão malcuidada como por fora. A maioria dos móveis estavam quebrados e todos estavam muito empoeirados. No canto da sala principal, um gramofone jazia, enorme e ainda com um disco de vinil posicionado na base. Brian, que estava atrás de Alexandra, foi até a sala de jantar, onde uma mesa para oito pessoas estava posta, com pratos, talheres, comida e bebida. A louça estava preta de poeira, e a comida, tão podre como um alimento poderia estar quando abandonado por mais de 50 anos.

- Alexandra, olha isso! Até a comida estava na mesa – Brian se aproximou do que outrora fora um peru assado, do qual só restavam os ossos e alguns pedaços de pele podre. – tinha até vinho! Por que você acha que deixaram tudo para trás?

- Eu não sei – respondeu Alexandra, se aproximando também da mesa – você que é o menino das lendas, quem morava aqui?

- Pelo que minha babá contava quando eu era mais novo, era uma família… Pai, mãe, avó, cinco filhos. Parece que no aniversário do mais velho ele ficou possuído e matou a família toda. Esquartejou todo mundo e começou a fazer símbolos na parede do andar de cima, onde ficam os quartos.

- Mas por que nunca limparam esse lugar? Ninguém entrou aqui depois que isso aconteceu?

- Eu não sei… Eu acho que entraram para tirar os corpos, mas não passaram por aqui. Nem a casa tentaram vender depois disso.

- Eu vou subir – declarou Alexandra – será que levaram a arma do crime?

- As escadas devem estar em péssimas condições, Alex! Pra que subir?

- Quando eu disse que queria explorar, eu quis dizer que ia explorar a casa toda! Quando eu voltar de viagem, quero ter histórias legais pra contar! Quer dizer que nem os adolescentes entram aqui pra fumar de vez em quando? – perguntou a garota, saindo da sala de jantar e indo em direção à escada em espiral.

- Eu estou dizendo, esse lugar é amaldiçoado. Ninguém entra aqui, todo mundo sabe disso. – explicou Brian. – eu não vou subir.

- É uma vila de covardes – riu Alexandra – fica aí embaixo, que eu vou ver se esses desenhos de sangue ainda estão lá e cima.

Alexandra subiu as escadas e se deparou com um longo corredor, com vários porta-retratos pendurados nas paredes. Todos muito antigos, e, na sua maioria, com a clássica posição onde as famílias tiravam fotos nos anos 30: a matriarca sentada e a família em torno.

Uma delas, entretanto, perto da porta do quarto principal – e mais afastado da escada – apresentava só o que Alexandra supôs serem os filhos. Os quatro mais novos olhavam para a câmera, enquanto o mais velho olhava para o lado, fitando os irmãos.

- Creepy… – Alexandra abandonou os porta-retratos e voltou para a base da escada, a fim de explorar os quartos. O mais perto da escada possuía uma cama apenas, e, pelo guarda-roupa, a garota descobriu ser o aposento da avó. Vasculhando as gavetas, Alexandra encontrou um colar de outro, uma medalha de guerra – provavelmente do marido da falecida – e um espelho de mão coberto de pequenas pedrinhas.

A cama estava desfeita, e manchas escuras eram perfeitamente visíveis – se eram de sangue, a garota não sabia. Na parede, entretanto, não havia nada. Colocando o espelho, o colar e a medalha no bolso, a garota saiu do quarto, sem se preocupar em fechar a porta. Assim que ia entrar no segundo quarto, Alexandra escutou um barulho imenso e quase tropeçou em uma boneca que estava jogada no chão. Aparentemente o gramofone na sala de estar tinha começado a tocar a música do disco de vinil, exatamente de onde tinha parado.

- PORRA BRIAN, QUER ME MATAR DE SUSTO? – gritou Alexandra. Brian, porém, não gritou nada em resposta. – covarde de merda. Já saiu correndo e deixou essa bosta dessa música tocando. – sem querer descer para parar o gramofone, Alexandra afastou os pedaços da boneca que estava na porta do quarto com o pé – uma boneca de porcelana, com os membros separados do torso – e entrou no quarto.

Imediatamente ela viu que era o quarto das filhas do casal. Duas camas estavam encostadas nas paredes, e um guarda-roupa estava parcialmente aberto. Mesmo com a lanterna de Alexandra sendo a única iluminação disponível – era uma noite sem muita luz da lua – dava pra ver que eram vestidos, como os usados pelas menininhas na época em que aquela família estava viva.

Alexandra se aproximou do guarda-roupa, pronta para vasculhá-lo em busca de mais coisas preciosas. Quando abriu a porta do móvel, entretanto, um esqueleto, que estava apoiado na parte de dentro do guarda-roupa, caiu em cima da garota.

- PUTA QUE PARU – xingou Alexandra, empurrando o esqueleto para longe. O crânio estava esmagado, e não haviam ossos das pernas. Estes Alexandra encontrou encostados no fundo do armário.

- Eca! – a respiração da garota estava rápida, e parecia que ela havia corrido uma maratona. Começava a duvidar se havia feito uma boa escolha ao invadir a casa. Lembrando-se das convicções e da certeza que fantasmas não existiam, Alexandra deu de ombros e saiu do aposento – é aquela música idiota entrando na minha cabeça. BRIAN, DESLIGA ESSA MERDA! – gritou, mas, mais uma vez, não recebeu resposta.Um pequeno medo começou a se instalar no peito da garota, devido à falta de respostas do primo. A curiosidade em saber o que havia nos outros quartos, porém, falou mais alto, e ela continuou a exploração.

O terceiro quarto era obviamente o dos garotos – eram três camas apertadas no aposento, dividindo o espaço com um armário e um espelho. Nas paredes, apesar de fraco, vários desenhos podiam ser vistos, contrastando com a tinta outrora branca. Eram desenhos endemoniados, anagramas, desenhos de fogo eterno e de pessoas esquartejadas. A maioria dos desenhos se concentrava na parede em cima de uma das camas, que Alexandra julgou ser a do filho mais velho, do assassino.

Sem querer passar mais tempo naquela casa – e com a música do gramofone continuando a tocar – Alexandra decidiu sair dali o mais rápido possível. Saindo do terceiro quarto, foi rapidamente na direção do último – o maior – para ver o que tinha ali e sair daquele terreno o mais rápido que pudesse. Quando ia abrir a porta do quarto principal, se olhar foi atraído pela última fotografia que havia visto antes de explorar os quartos – a que mostrava apenas os filhos, com o mais velho olhando para os irmãos ao invés de olhar para a câmera. A imagem, entretanto, estava diferente. Os quatro irmãos estavam no chão, mortos, com os membros separados se seus corpos. Mas o irmão mais velho ainda estava em pé, agora olhando fixamente pra câmera, fixamente para Alexandra. Segurando em cada mão um braço decepado, o rapaz parecia querer abraçar quem tirava a fotografia… Ou quem a olhava.

- Nem a pau eu passo mais um segundo aqui – sussurrou a garota, correndo de volta pelo corredor para descer as escadas e sair daquele local. Os degraus, porém, estavam completamente destruídos, impossibilitando a saída por aquele caminho. A música no gramofone estava cada vez mais alta, e Alexandra podia jurar que agora eram várias vozes que cantavam em conjunto.

Enquanto corria de volta pelo corredor, tentando sair da casa pulando de alguma janela, as portas dos quartos que explorara batiam fortemente com a força de um vento saído de não-sei-onde. Por mais que a garota fizesse força, nenhuma das portas dos três primeiros quartos abria.

Na casa, uma cacofonia de sons começava a ser ouvida. Além da música – cada vez mais alta – Alexandra podia jurar que estava ouvindo talheres na sala de jantar, risos na sala de estar e gritos vindo dos quartos. No quarto das meninas, onde havia encontrado o esqueleto, algo aranhava o chão – como se a menina, sem as pernas, estivesse se arrastando para sair do aposento.

Sem alternativas, restou a Alexandra correr em direção ao quarto principal, em uma última tentativa de sair daquela casa. Quando entrou no aposento, sua lanterna iluminou diretamente a cama de casal, onde uma mulher costurava o próprio braço de volta no corpo, usando um fio do próprio cabelo. A mulher levantou a cabeça e sorriu, num sorriso faminto que deixava a mostra o pescoço – também todo costurado.

Do lado da cama, um espelho de corpo inteiro mostrava Alexandra, parada, pálida e suando frio, em pé na porta do quarto, sem forças para gritar. Atrás da garota, algo se movia – e se aproximava depressa.

E a lanterna da menina escolheu justamente essa hora para apagar.

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E aí? Espero que tenham gostado!

Adorei exercitar minha escrita, e espero que tenham sentido tanto medo ao ler quanto eu, ao escrever.

Até mais!

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