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Comic Con Experience – Foi bom? [Cobertura]

comic con experience

Por Guilherme Souza

08 de Dezembro de 2014

Antes de começar o primeiro dia de evento, os organizadores da Comic Con Experience nos explicaram, em sua coletiva de imprensa, que o que eles queriam trazer era a experiência de um evento de cultura pop para o Brasil. Queriam mostrar a nós, aos estúdios e empresas nacionais e internacionais que existe um público no país para isso, que dá para trazer muita coisa para nós e para eles.

Após 4 dias de evento, muitas filas e painéis, posso afirmar que eles conseguiram tudo isso e muito mais do que eu esperava. E isso porque o evento trouxe uma proposta realmente diferente do que a que temos aqui. Nunca houve algo para o nosso público, para quem gosta de quadrinhos, cinema e televisão apresentados dessa forma, tanto que alguns dos maiores eventos de animes até tentavam suprir essa falta. Sempre foram eventos separados, com seus nichos específicos, principalmente no caso de quadrinhos, com a FIQ.

Portanto, foi impossível não se deslumbrar com os stands espalhados pelo São Paulo Expo. Logo na entrada já damos de cara com o espaço da Pizii Toys, com uma armadura de ouro (CDZ) em tamanho real, um DeLorean extremante detalhado e inúmeras esculturas incríveis espalhado pelo lugar. Aí você olha para o lado e vê o stand da Disney, que trouxe as mesmas peças de Vingadores – A Era de Ultron que ela levou até San Diego, aquele escudo partido, aquele pedaço do Ultron (!), e a Warner com uma área comemorativa aos 75 anos de Batman, inclusive com um batmóvel, e, se não bastasse isso, com uma van do Scooby Doo e um dos carros do novo Mad Max. Se não estiver bom para você, tem um stand da Netflix, com roupas usadas durante a gravação de sua nova série original, Marco Polo. Tem a Fox com cenários de The Walking Dead, Friends e Os Simpsons, tem a Profiles in History, com uma série de figurinos e objetos usados em filmes e séries, como Star Trek e heróis da Marvel, tem inúmeras lojas de colecionáveis, e, por fim, a cereja do bolo, os painéis.

O objetivo máximo de qualquer pessoa que goste desses eventos é conseguir um lugar nos disputadíssimos painéis. E isso porque esses painéis são a chance de ficar perto de quem você gosta, de quem você acompanha a carreira. É a chance de ver conteúdos inéditos, feitos especialmente para você, mais ninguém. E, nesse ponto, a Comic Con Experience conseguiu se superar. Não houve painel que ficasse vazio, painel que não estivesse recheado de fãs do assunto dele. Foi uma experiência surreal ver como todo painel estava cheio de fãs do trabalho de alguém, fosse um ator ou quadrinista. Todos os painéis tinham perguntas dos fãs, todos eles traziam um contato ansiado por muitos. Não é de surpreender que praticamente todos os atores, estúdios e executivos que vieram para cá se surpreenderam. Até mesmo os organizadores se surpreenderam, até mesmo nós nos surpreendemos. No sábado eu tive a oportunidade de ver o presidente da Pixar ficar extasiado com a recepção que nós demos à ele, eu vi o diretor, produtor e dubladores de Big Hero 6 se emocionarem, junto com nós, com tudo que vimos. Essa é a experiência que o evento queria passar e que eles conseguiram com folga. Richard Armitage, o Thorin de O Hobbit, se disse emocionadíssimo após assistir a sessão exclusiva do filme, no domingo, com o público brasileiro. Acompanhando os painéis da Marvel e de Star Wars, foi impossível não se emocionar e vibrar com os trailers mostrados, com a trilha de John Williams e a Millenium Falcon, com o final de Big Hero 6, com o belíssimo curta Lava, da Pixar, com as brincadeiras de Momoa, o juramento Goonie de Sean Astin… Era uma imensa reunião de pessoas apaixonadas por algo, a base do ser “nerd”, e foi uma experiência única poder ver tudo aquilo. Existe muito amor no mundo nerd <3

Não bastando tudo isso, a organização do evento foi, na sua maior parte, incrível. Os painéis não atrasavam de jeito nenhum, mesmo os que tinham Jason Momoa, que descobri ser extremamente louco, divertido e imprevisível. O som geral do auditório principal era assustador. O telão, acompanhado de dois telões menores, possibilitavam a visão de todos do que acontecia no palco principal. O medo de várias pessoas de não entender o que o entrevistado dizia em inglês foi superado com um sistema de legenda simultânea que facilitava a vida de todos, e todo o conteúdo exclusivo que vimos contava com legendas também. os banheiros eram bem localizados, inclusive dentro dos auditórios (que contavam com bomboniere também, para você não precisar sair), e a praça de alimentação tinha inúmeras opções de comida (e, por mais que fosse cara, parece ser bem melhor que as das comic cons estadunidenses, pelo que falaram). E, por fim, o leque de voluntários que a organização trouxe para o evento estava exemplar. Todos eram atenciosos, sabiam dar as informações e cuidavam para que nada de errado acontecesse. Em 4 dias de evento eu não vi uma confusão ser causada, a chegada ao evento era sempre tranquila, com várias pessoas espalhadas pela estação de metrô e a rua, te auxiliando até as vans que levavam você ao evento.

Painéis e stands eram as atrações mais barulhentas do evento, mas o que mais chamou minha atenção foi o Artist Alley. Eram mais de 200 quadrinistas do Brasil inteiro (e alguns internacionais) ali, vendendo e apresentando seu trabalho para você de uma forma muito pessoal. Tive a possibilidade de falar com minha dupla de quadrinistas favorita e conhecer inúmeros outros artistas incríveis, coisa que não aconteceria sem essa ala do evento. Todo dia eu dava uma volta pelo lugar, e o respeito com que eles tratavam o público tornava quase impossível não se interessar em, ao menos, conhecer o que eles tinham a oferecer (eu deixei nesse lugar uma boa parcela da minha verba para o evento hehe). E os próprios artistas ficaram extasiados com o resultado. Ficaram extasiados com toda a venda que fizeram, com todo o amor com que foram recebidos, com a descoberta que existe um público imenso que gosta deles ou que ficou feliz em conhecer o trabalho deles.

A Comic Con Experience trouxe para nós algo que sempre faltou aqui, embora nós não tivéssemos conhecimento do que exatamente fosse. Ela foi muito maior do que o planejado pelos organizadores, e deve crescer cada vez mais com os próximos anos, mostrando para a indústria que existe um público imenso no Brasil. Um gigantesco grupo de nerds e fãs da cultura pop. Um grupo que, ao contrário do que alguns pensaram, sabe respeitar quem vem até aqui, um grupo caloroso que consegue mostrar que existe amor nerd no Brasil, e nós queremos cada vez mais.

Para fotos de action figures, estantes e relatos dos painéis, confira o nosso post de cobertura do primeirosegundo e terceiro dias.


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