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Cidade de Dragões – O legado ranger II [Crítica]

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por Alexandre Moreira

em 25 de Junho de 2016

Uma referência dentro da literatura de fantasia e ficção brasileira, Raphael Draccon nos presenteia com a excelente sequência de Cemitério de Dragões – O Legado Ranger I.

Em Cidade de Dragões, o segundo livro da série, nossos heróis estão de volta à nossa dimensão e após a épica batalha no fim do primeiro livro eles retornam à Terra munidos dos braceletes que fornece acesso à armadura.

De início somos apresentados à esta nova realidade na vida de cada um a partir da vivência deles na outra dimensão. Cada qual dos cinco heróis segue sua vida fazendo uso (ou não) dos poderes. Enquanto alguns optam por esquecer o que viveu ou esconder toda a experiência, outros passam a fazer uso dos poderes para continuar seus atos heroicos.

Depois de um tempo nenhum deles acredita que está, de fato ameaçado por outra dimensão ou criatura, até que certo dia, no Rio de Janeiro – em dia de jogo da seleção no Maracanã – os dragões acessam nosso universo e provocam o caos.

Dos que acreditam não passar de uma ação publicitária até os mais desesperados que creem no apocalipse, as reações são múltiplas. Mas não demora para que nossos heróis tomem conhecimento do que está acontecendo, seja pelas noticias na TV seja por sensações estranhas que passaram a ter quando o portal é aberto.

Sem muita opção do que fazer a respeito os cinco acabam se reunindo para enfrentarem as criaturas mas além de derrotá-las o problema maior seria enviá-las de volta à dimensão do cemitério.

Como se a ameaça dos dragões não fosse o bastante uma estranha criatura é vista no Japão e pelas descrições feitas na mídia eles acreditam que trata-se de um demônio-bruxa filho de Ravena e não demora para que os protagonistas da história descubram a relação entre tantos eventos sinistros.

Novamente somos presenteados com o que pode ser considerado cinco narrativas diferentes, afinal cada capítulo é contado na perspetiva de um personagem. Além de diferentes características, neste livro exploramos cinco lugares e culturas diferentes até que o encontro entre eles ocorra. Foi impossível não lembrar de Sense8 em algumas passagens do livro recheado de ação e reviravoltas. O livro faz uma revelação importante sobre a relação armadura-dragão que certamente será explorada no próximo livro que já está em fase de publicação na editora Rocco pelo selo Fantástica.

Falando um pouco mais sobre alguns personagens, não posso deixar de citar Amber que, traumatizada com os momentos que passou no cemitério, tenta esquecer os “dias de horror” e sua experiência de quase morte na batalha e, sendo assim não faz uso do bracelete nem para acessar a bio-armadura nem para entrar em contato com seus companheiros.

Ruanda por sua vez faz uso dos seus poderes para melhorar a realidade na África: a princípio usando sua supremacia militar/tecnológica ela consegue unificar diversas tribos do país sob seu governo buscando patrocinadores e investidores através de demonstrações de poder. Essa parte da narrativa me chama especial atenção pelo caráter político: tanto as características de Ruanda e seu contexto político-social quanto suas relações com outros personagens contribui para a reflexão atual quando pensamos em organização social de países emergentes. Ah! só digo que nessa parte a ONU aparece no livro e rola um conflito com ela!

E assim, de forma eletrizante,  somos conduzidos por mais uma ótima obra que reafirma o potencial brasileiro para escrever, pensar e viver diferentes mundos e fantasias. 

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