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Cemitério de Dragões: O Legado Ranger I

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por Alexandre Moreira 

em 9 de Setembro de 2014

Para começo de conversa: o livro não apenas faz referência a diversas coisas do universo nerd como as utiliza como cenário ou constituição de seus personagens, contribuindo para que o leitor viaje ao universo proposto na ficção de maneira muito mais fluída logo nas primeiras páginas. O prólogo não esclarece muita coisa, mas aguça o sabor de mistério da narrativa e, assim como os protagonistas da história, de súbito somos jogados numa dimensão dominada por demônios, dragões e criaturas asquerosas.

Cinco humanos de nosso tempo simplesmente acordam nesse mundo estranho sem compreender bem como e menos ainda o porque. Num primeiro momento, a única ligação entre eles é que as últimas lembranças deles na Terra são de momentos antes de uma morte certa, o que pode facilmente remeter tudo à uma ideia de limbo, permitindo a lembrança de Caverna do Dragão:

  • Derek, um soldado americano;
  • Daniel, um jovem garoto brasileiro com descendencia japonesa;
  • Romain, um dublê francês mestre em parkour;
  • Ashanti, uma africana guerreira;
  • Amber, uma garçonete irlandesa;

Asteroph é o demônio-rei que busca a capacidade de viajar entre dimensões e para isso escravizou anões, gigantes, seres reptilianos para explorar a substância de maior valor ritualístico e bélico na dimensão: sangue de dragão. Ao seu lado, o demônio-bruxa, Ravenna e seu exército de draconianos tem o domínio sob diversas outras criaturas, inclusive alguns dos humanos que acabam sendo escravizados. Em meio a isso, um grupo de monges guerreiros liderados por um príncipe temem a chegada do Dia da Serpente, quando uma terrível criatura invocada com forças malignas viria para superfície para aniquilar a vida de quem cruzasse seu caminho. A única esperança desse povo reside numa dádiva: um enviado capaz de combater a criatura e salvar a dimensão do caos completo. E este é o cenário do Cemitério de Dragões.

O lugar é sombrio e tem cheiro de morte. A atmosfera sombria se completa com a presença de seres draconianos e demônios humanóides. A presença de nossos heróis destoa da realidade no ambiente, o tempo parece passar em uma outra frequência. Pouco a pouco a leitura nos revela as origens do lugar bem como seu funcionamento, diversos habitantes e cenários diversos. A exploração geográfica acompanha a compreensão dos personagens que se revelam em diálogos, ações e conflitos. Cenas de ação acompanham a trama a todo instante e a comicidade de alguns personagens nesses momentos são memoráveis!

De Harry Potter a Star Wars, passando por Matrix, Pokemón e até Avatar: Raphael Draccon consegue mesclar suas referências culturais numa literatura fantástica única e de forma que não fique forçado para quem lê. O misto não fica só por conta das referências: há uma sintonia feita entre magia, ficção, tecnologia e misticismo. Através de elementos e personagens categóricos e simbólicos a narrativa torna-se complexa sem comprometer o ritmo de leitura leve característicos das literaturas fantásticas.

Alguns seres da narrativa são quase alegóricos, fazendo algumas referências a certos tipos de mitos e crenças religiosas, aliás, bem conveniente para o clima do livro, que inclusive faz uma menção aos arcos do inferno vistos também na famosa obra de Dante Alighieri e resignificado em muitas outras obras de ficção.

O livro inaugura o selo “Fantástica” da Editora Rocco. Na 23ª Bienal do Livro, Raphael Draccon pode autografar exemplares e conversar com alguns fãs. Um grupo presente reproduzia alguns personagens com roupas, instrumentos e armas fazendo uma ótima preview para quem comprou o lançamento.

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E você o que achou do livro? Já conhece a obra de Draccon?! Conte suas impressões nos comentários abaixo!


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