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A redenção do anjo caído [Resenha]

24 de dezembro de 2016
por Artemys Ichihara

A redenção do anjo caído tem uma premissa simples: nos mostrar como seria se, num rompante de autocrítica e reavaliação, Lúcifer, o primeiro dos anjos e o que viria a se tornar o Diabo nas escrituras judaico-cristãs, resolvesse que quer voltar para o Paraíso e servir o Senhor. O que teria de fazer? Permitiria facilmente, o Deus misericordioso, que Lúcifer voltasse ao seu posto de Primeiro entre os Anjos sem muitas ressalvas e ressentimentos?

A história começa, obviamente, do início — não da criação, mas do primeiro momento em que Lúcifer experimentou os sentimentos que o fariam ser expulso dos domínios de Deus. Em uma narrativa que se divide entre ora se assemelhar com o estilo narrativo da própria Bíblia e ora ser um texto dinâmico e contemporâneo, Fabio Baptista descreve a epopeia da busca por redenção — como o próprio título já diz — do anjo caído.

Entretanto, o que à primeira vista pode parecer apenas mais uma narração épica de mais uma batalha entre anjos e demônios, se mostra uma história divertida, e com toques cítricos de ironia e críticas sociais bastante interessantes, bem como de um uso acertado de passagens da história bíblica e de certos conhecimentos de demonologia.

A maneira como a narrativa se constrói é bastante fluida e transita entre cenas própria do epicismo (se é que essa palavra existe) bíblico, passagens de comédia ácida, e drama e suspense próprios do gênero, com algumas alfinetadas para a situação social que se vive no Brasil — e mais especificamente, São Paulo — atualmente. Gentrificação, luta por moradia, o jogo político, pobreza: tudo isso é abordado de forma muito condizente com o contexto da história, sem parecer forçado ou o famigerado “textão de Facebook” digno da crítica social foda™.

Entretanto, como nem tudo são flores (e eu sou uma resenhista muito chata), a obra de Fabio Baptista tem alguns inconvenientes: alguns personagens, como Lilith, são mal aproveitados, dando a entender que poderiam ser muito bem utilizados, mas caem no esquecimento durante o avanço da narrativa. Além disso, conforme a história avança e o clímax se aproxima, a narrativa começa a ficar bastante corrida, e as coisas escalam de maneira tão rápida que muitas vezes não se pode fruir o que está acontecendo  (e acho que essa é a primeira vez que fico chateada por um livro ter páginas de menos na vida).

Apesar destes dois problemas bastante pontuais, A redenção do anjo caído é uma história bem escrita, divertida e pertinente — ainda mais na situação de crise e golpe que vivemos –, que tem palco na cidade que eu mais amo no mundo (sim, São Paulo, eu sou louca mesmo) e com um dos Diabos mais carismáticos que já conheci.

Livro recomendadíssimo! E se quiserem adquirir para tirar as próprias conclusões, o livro está a venda na Amazon :) — e é super baratinho. Sério, gente, compra!


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