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Persépolis [Resenha]

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Por Alessandro Zaharur

19 de fevereiro de 2016

    Uma obra que coloca o “dedo na feriada”, relatada de maneira suave e natural. A história de Marjane Satrapi nos mostra as dificuldades e os preconceitos vivenciados nos Irã a partir do ponto de vista de um iraniano.

    Persépolis – referência à cidade histórica – é uma HQ autobiográfica que conta a história de uma garota diante das mudanças de sua vida e de seu país, o Irã. Desde seus 12 anos até sua fase adulta, Marjane leva a vida de modo não convencional em relação às outras crianças de sua idade. Sempre questionando tudo e a todos, a menina demonstra ao longo das páginas sua coragem e ousadia diante de diversas situações de puro conservadorismo.

    O grande foco da obra encontra-se no posicionamento político e nas questões religiosas de um país teocrático. Passando pela revolução iraniana e pela guerra contra o Iraque ao longo dos capítulos, Satrapi demonstra ao leitor os dramas vividos pelos habitantes e as sequelas deixadas no dia a dia destes. Por exemplo, a história “A piada”, na qual a menina faz uma visita a um antigo amigo que acabara de voltar da guerra e se encontra cadeirante, além de ter perdido um braço. Situações como essa refletem as cicatrizes que uma guerra e uma cultura extremista podem deixar em uma sociedade.

    A versão completa, lançada no Brasil pela Companhia das Letras em 2007, é um compilado de todas as pequenas histórias contadas pela autora. Ler esse material de maneira sequencial proporciona ao leitor uma riqueza de detalhes e uma simpatia com a protagonista e seus pequenos instantes de amadurecimento. Observar a inteligência e as atitudes de Marjane, que vai tornando-se cada vez mais politizada e consciente, traz para quem lê uma sensação de luta pelos seus próprios direitos.

    Apesar de não possuir um desenho de ótima qualidade comparado aos quadrinhos de maior destaque, a obra tem seu valor dentro do traçado simples e algumas vezes infantil. A essência da dela se encontra nos personagens caricatos e principalmente nas interpretações feitas pela autora diante de ícones da sua cultura. O estilo dos quadros ainda consegue transparecer, de maneira simples, costumes pouco comuns no ocidente.

    Em 2007 a história foi adaptada para uma animação, mantendo a substância e o carisma da personagem – além do traço – características grandiosas da HQ. O longa estreou no festival de Cannes, onde ganhou o prêmio do Júri. Até 2008 ainda conquistou mais quatro premiações e 8 indicações.

    Sendo uma obra altamente aclamada no mundo dos quadrinhos, Persépolis sem dúvida merece estar na lista de materiais a serem lidos antes de morrer. Demonstrando a luta por direitos e a guerra entre o ceticismo e a crença, a obra de Marjane Satrapi consegue adequar-se em qualquer sociedade e em qualquer período.

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