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O Filme da Minha Vida [Crítica]

por Felipe Fischer e Jurandir Vicari

em 11 de agosto de 2017

No último dia 03 de agosto estreou O Filme da Minha Vida, mais uma empreitada de Selton Mello na direção, e o Portal Caneca conferiu tudinho e com o bônus da presença dele, Rolando Boldrin e de Ondina Clais.

A estreia do Selton Mello como diretor de um longa se deu no filme Feliz Natal, mas foi em sua segunda experiência na direção que realmente se destacou. Em O Palhaço, Selton retratou o universo circense de forma bem delicada e justamente essa delicadeza que continua sendo sua marca registrada, como podemos observar nesse novo longa.

O novo filme é uma produção baseado no livro: Um Pai de Cinema, de Antonio Skármeta, autor chileno de obras igualmente delicadas como: O Carteiro e o Poeta, talvez por isso o filme é todo recortado de contrastes entre a luz, as sombras, a poesia e a realidade dança na tela a todo momento, mas sempre com um tom de melancolia e ausência.

O protagonista Tony (Johnny Massaro), tenta ao longo de quase todo o filme lidar com a ausência de seu pai e apoia-se em Paco (Selton Mello, sim ator e diretor) melhor amigo do pai, que dá o suporte necessário para a família na ausência da figura paterna. O protagonista é obrigado a seguir a vida, lidando com os conflitos internos sem entender o motivo do pai ter abandonado a família. O jovem sonhador se consola com as imagens do cinema local e as primeiras paixões de sua vida.

Rolando Boldrin dá vida ao maquinista do trem, um personagem que traz algumas reflexões importantes e Bruna Linzmeyers, está bem mais singela, mas perfeitamente apaixonante.

A qualidade técnica é o maior destaque do filme. Uma fotografia impecável de Walter Carvalho e direção de arte de Cláudio Amaral Peixoto, com o pano de fundo as lindas paisagens do Sul do Brasil, figurinos e cenários que nos fazem acreditar que estamos na década de 60. Outro ponto alto é a trilha sonora que consegue trazer ainda mais emoção as belíssimas cenas.

“O Filme da Minha Vida” é uma grande homenagem ao cinema como um todo, cheio de referências, respirando poesia e trazendo o saudosismo de outra época. O cinema de rua não é apenas um elemento cenográfico dentro do filme, ele é um personagem importante de todo o enredo sendo responsável por encontro, reflexões sobre a vida e a união dos personagens.

Deixe de lado qualquer preconceito que tiver sobre filmes nacionais e vá descobrir essa “poesia” cinematográfica.