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Histeria, uma comédia entre a psicanálise e o surrealismo

Cartaz da peça Histeria

por Felipe Fischer

em 11 de agosto de 2017

Sabe quando você assiste à uma peça de teatro e fica tão encantado com o que viu que só pensa em voltar e assistir uma segunda vez? Isso aconteceu comigo no começo do ano quando fui assistir “Histeria”, porém a peça saiu de cartaz e não consegui retornar. Pra minha surpresa, eis que recebo, na semana passada, a notícia de que uma terceira temporada da peça chegaria em São Paulo. É justamente sobre este retorno que este relato vai falar.

É fácil ficar encantando por um filme ou teatro quando assistimos apenas uma vez. Quando vemos algo pela segunda vez, prestamos mais atenção no desenrolar do enredo, na evolução dos personagens, até mesmo na reação da plateia. As expectativas estavam altas, conversava com um amigo que me acompanhou falando que ele iria amar, se encantar, que seria uma experiência incrível, essas coisas que falamos quando estamos apaixonados por algo.

Criar tantas expectativas é algo que pode ser, de certa forma, frustrante, foi quando percebi que talvez não devesse falar mais nada para meu amigo, apenas resumir do que se tratava a peça:

Histeria é uma comédia delirante causada pelo encontro do pai da psicanálise, Sigmund Freud, com o mestre do surrealismo, Salvador Dalí.

A peça é muito mais que isso e posso adiantar que a segunda vez que assisti foi ainda mais impactante. Com o desenrolar das cenas a plateia foi se soltando até o ponto onde não é mais possível segurar a risada. Fui acompanhando a reação das pessoas enquanto meus olhos enchiam de lágrimas por já saber o desfecho de tudo. Isso foi tão impactante: ver o momento em que tudo se conecta, o momento da virada de cena.

O roteiro é brilhante, mas ele não ganha vida se não tivessem bons atores em cena. E como é incrível ver Norival Rizzo, Cassio Scapin, Erica Montanheiro e Milton Levy em cena. Eles doam o máximo de si em diálogos profundos e intensos, com timing certo nas piadas e entonações. É uma dedicação tão grande que você sente enquanto assiste o espetáculo. Apesar de ser uma comédia incrível, em uma das cenas da Erica Montanheiro foi impossível conter as lágrimas. Uma interpretação que há muito tempo eu não presenciava e que pude apreciar ainda mais nessa segunda vez.

Com o fechar das cortinas, meu amigo olhou pra mim e disse que havia sido melhor ainda do que ele imaginava. Agora a minha vontade é de convencer e levar todos os amigos para ter essa experiência que somente uma boa peça de teatro pode proporcionar. E acredite, essa é peça certa para isso!