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Lembra aquela vez [Resenha]

Capa do livro "Lembra aquela vez" publicado pela editora rocco

por Alexandre Moreira em

24 de julho de 2017

Sem rodeios: esse livro é bem tenso. Me surpreendeu de diferentes maneiras, mas principalmente a forma como concluiu a história. Livro de estreia do americano Adam Silvera, Lembra aquela vez promete entrar nas listas de grandes sucessos literários da atualidade. Preciso adiantar que fiz muitas relações da história do livro com o filme Brilho eterno de uma mente sem lembranças (2004) o que sou aumenta meu amorzinho pelo livro.

Aaron é um jovem de 16 anos que vive na periferia de Nova Iorque. No pulso ele leva consigo a marca da sua tentativa de suicídio motivado pela morte do próprio pai. Já recuperado de uma fase pior, Aaron reestabelece seu namoro com Genevieve, consegue um trabalho em uma loja do bairro e volta a se relacionar com seus vizinhos e amigos do conjunto habitacional onde mora.

Tudo muda quando entra no jogo o jovem Thomas por quem Aaron cria uma forte amizade. Essa aproximação e a própria personalidade de Thomas faz com que Aaron redescubra sua sexualidade e em meio a tantos outros conflitos que começam a aparecer em sua vida ele pensa em recorrer ao Instituto Leteo para obter ajuda. Leteo, que tem seu nome do rio Léthê do mundo inferior grego, é uma organização médica que desenvolveu um procedimento capaz de alterar memórias traumáticas de uma pessoa. É a partir do envolvimento com o Instituto que Aaron descobre já ter realizado o procedimento. Com isso, ele parte em busca de entender quem ele é realmente e principalmente entender como encontrar a felicidade em meio a tantos medos e incertezas.

O livro não hesita ao colocar pautas polêmicas em meio a trama: suicídio, depressão e homofobia transpassam relações entre familiares, amigos e romances. A narrativa dramática não diminui a emoção da leitura e mantém uma atmosfera tensa do começo ao fim, como se você sentisse que algo está fora do lugar. A sensação é de caminhar em meio a um nevoeiro, onde pouco a pouco as coisas e pessoas tomam formam e compõem um cenário complexo e envolvente.

Adam consegue provocar perguntas no leitor durante toda a trajetória do protagonista: e se pudéssemos esquecer ou alterar alguma memória nossa? Seriamos capazes de fazer um procedimento assim para sermos felizes? É possível ser feliz fugindo de alguém que você é ou já foi? O que define felicidade, afinal e a que preço merecemos tê-la? 

Como disse no começo o livro me conquistou muito durante todo o processo, mas ganhou lugar dentre meus favoritos pela conclusão inesperada e muito ousada do autor. Faço questão de indicar esse livro para todos os jovens e adultos.