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Minions [Crítica]

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Por Guilherme Souza

27 de Junho de 2015

Desde Meu Malvado Favorito (2010), o mundo passou a amar os minions. Os pequenos coadjuvantes do filme ganharam o coração do público, gerando ainda mais retorno na continuação de 2013, então a decisão mais lógica de um estúdio seria fazer um spin off, não? Assim como Os Pinguins de Madagascar, vimos os minions ganharem sua chance de brilhar.

Minions tem um objetivo claro, que é lucrar. O trio de criaturas que protagoniza o filme – Kevin, Bob e Stuart – aparece em tela nas mais variadas piadas e brincadeiras (muitas vezes físicas), usando ao máximo o carisma adquirido para cativar o público.

Contudo, isso pouco funciona. Os personagens são planos demais, e o fato de suas falas serem ininteligíveis impede bastante o desenvolvimento de uma ligação mais profunda. O mais relacionável acaba sendo o pequeno Bob, por parecer o bebê do grupo, combinando assim as falas e atitudes de uma forma mais harmoniosa. Além disso, toda a história do filme carece de conteúdo. Os minions viajam pelo mundo, encontram uma nova vilã para tentar servir (Scarlet Overkill) e então passam para as confusões que sempre causam quando estão em tela. A história se transforma em um pequeno apoio para a comédia que roteirista e diretores preferiram utilizar, que pode funcionar em alguns momentos, mas logo cansa pela repetição.

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E aí entra o maior problema de Minions, pois nem sempre acerta em suas piadas. A história foi majoritariamente planejada para crianças, mas temos diversos momentos e piadas que passam despercebidas por este público, como algumas envolvendo filmes de monstros e terror, ou até mesmo uma envolvendo a viagem à lua filmada por Kubrick. Some isso ao estereótipo usado para representar a Inglaterra (para onde eles vão) no filme – como a piada de tomar chá o tempo todo – e a atenção do público se esvai ao longo do filme.

Há alguns acertos nesse meio, como a ideia da Villain Con, uma grande brincadeira com as comic-cons ao redor do mundo, e a representação feminina, com Scarlet tendo seus momentos de discurso sobre empoderamento das mulheres, e a própria rainha da Inglaterra sendo representada de forma interessante, e até mesmo as piadas inglesas funcionam, como a envolvendo os Beatles, mas só são percebidas por uma parcela menor de quem vê o filme.

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Sob um aspecto geral, Minions é um filme que claramente deveria ser feito para crianças, mas tenta abraçar uma fatia de público maior e acaba deixando todas escapar. Além disso, a falta de uma história ou mensagem maior a ser passada acaba transformando-o em algo simples, que não vale a pena diante de tantos outros bons filmes sendo lançados (só como animação, nós ainda temos Divertida Mente nas salas de cinema). É um filme que poderia ser muito maior, caso fosse melhor planejado.

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